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Madame Aubergine: Conte um pouco da sua trajetória profissional até os dias de hoje.
Sonia Hirsch: Repórter e redatora aos 18, depois redatora-chefe, editora de revistas, editora de quadrinhos, fotógrafa, artesã, escritora, editora de livros, empresária, funcionária da Corre Cotia.
MA: Quando começou seu interesse pela gastronomia e pela alimentação saudável?
SH: A gastronomia nunca me interessou. A alimentação saudável surgiu como tábua de salvação em 1976. Entendi que precisava ser menos hedonista e me cuidar mais. Subi na tábua, ela virou prancha e estou surfando até hoje.
MA: Fale um pouco da relação entre felicidade e alimentação.
SH: Ter o que comer na hora da fome: uma felicidade!
MA: Fale um pouco sobre doenças e alimentação.
SH: A maior parte das doenças pode ser evitada com uma alimentação saudável, mas isso só não basta: tem que prestar atenção em tudo – água, ar, exercícios, roupas, toxinas, parasitas etc. Em compensação, a maior parte das doenças pode ser motivada exclusivamente por uma alimentação inadequada.
MA: Como você compara o hábito da alimentação saudável no Brasil com o de outros países? Ainda estamos muito incipientes?
SH: Não sei comparar os hábitos. Eu acho ótima a alimentação tradicional brasileira de Minas Gerais e interior de São Paulo, por exemplo: arroz, feijão, abóbora, couve, um pedaço pequeno de carne. Acho que o brasileiro tradicional come muito melhor do que o americano tradicional. Mas não dá para generalizar, nem lá nem cá. O maior problema atual de quem come é que há muita fartura de alimentos, bons e ruins, e o especial de domingo impera no dia a dia. Perdendo a tradição, perdemos os limites entre o bom e o inconveniente.
MA: Como as pessoas que vivem nos grandes centros urbanos podem se cuidar para uma alimentação mais orgânica, holística e saudável?
SH: Depende muito da pessoa. Algumas levam comida de casa, outras frequentam bons restaurantes que, mesmo sem ser naturebas, têm muita opção de vegetais.
MA: Qual é a sua recomendação de alimentação saudável e equilibrada?
SH: Muitos vegetais frescos e coloridos, se possível nem crus nem muito cozidos, mas crocantes. Grãos integrais em pequena quantidade, feijões uma ou duas vezes por semana, carnes e ovos de boa procedência. Raramente sobremesa. Nunca refrigerantes ou sucos durante a refeição. Raros laticínios. E açúcar, só se for para morrer de prazer.
MA: Como você encara o desafio atual de ser uma profissional da saúde num momento de tanto excesso de informação e desinformação?
SH: Procuro ficar calma e responder de forma sensata somente àquilo que realmente me toca. As informações que utilizo no meu trabalho são tradicionais, não me sujeitam às dúvidas que as sempre renovadas "informações científicas" provocam por aí. Não vivo no fio da navalha, como muitos colegas entulhados de releases que, só por serem assinados por cientistas, se supõe estarem acima de qualquer suspeita. Suspeito de todos eles. A saúde é simples, as doenças, os remédios, exames e cirurgias é que são complicados. Eu me dedico a promover a saúde.
MA: Fale sobre seus livros e sua vocação na escrita.
SH: São 20 títulos publicados e eu gosto muito do que faço. Gosto de escrever, me divirto, muitas vezes entro em estado de fluxo quando escrevo um livro. Mas também adoro a movimentação do blog, que expandiu infinitamente as minhas possibilidades de acesso ao público. Meus livros estão em www.correcotia.com, bem como currículo e entrevistas que contam mais detidamente a minha historinha.
MA: Fale sobre seu lançamento do Amiga Cozinha.
SH: O Amiga Cozinha é o terceiro volume de uma trilogia de crônicas; os anteriores são Meditando na cozinha e Paixão emagrece, amor engorda. Essas crônicas, publicadas originalmente na revista Bons Fluidos, dão conta do que andei pensando e pesquisando entre 2000 e 2009 – sendo que em 2006 publiquei também um livro temático, o Atchiiim!, sobre gripes, resfriados, alergias & cia., um livrinho muito útil.
MA: Algum novo projeto? E as revistas?
SH: Cursos e livros em vista. Revistas, espero que não. Prefiro não ter compromissos de criação para terceiros, manter meu ritmo mais tranquilo. Por isso moro na roça.
MA: Você tem palestras previstas/encontros para os próximos meses?
SH: Em março dou palestra em Joinville nas comemorações do Dia Internacional da Mulher, depois talvez um curso no Rio.
MA: Como você se ocupa no seu tempo livre?
SH: Gosto de contemplar a natureza, estar com amigos e bichos, observar passarinhos, ir ao mar, andar de caiaque, ler, ver filmes – e gosto muito de fotografar flores; tenho publicado algumas dessas fotos no blog, o que me dá enorme prazer.
MA: Um gosto inconfessável?
SH: Repetir a sobremesa e/ou o café, depois de ter tomado vinho e comido à grande, esquecendo completamente de que vou ficar péssima depois. Pior se tiver chocolate no meio.
MA: Se o mundo estivesse acabando, qual seria seu último prato?
SH: Arroz branco com feijão-preto puxadinho no alho, farofa, banana e couve.
MA: Você cozinha? Qual é a sua especialidade?
SH: Cozinho. Sou boa com vegetais, em fazer coisas simples de forma simples, por exemplo: cebolinha-verde refogada em azeite. É inusitado e fica tão bom que vira prato de festa, de apresentar como acompanhamento em almoço grande. Fatias de abóbora hokaido, no forno, com gengibre ralado e algumas gotas de alguma coisa por cima – azeite, óleo de gergelim, óleo de coco. Ou só cozinhar as fatias de abóbora, com casca e tudo, e servir com manjericão fresco. Aprendi muito durante meu período macrobiótico (antes, aliás, nem sabia cozinhar). A macrobiótica zen, derivada dos mosteiros onde cozinhar é meditação e arte, valoriza a simplicidade e nos deixa muito mais sensíveis aos sabores, bem como a tipos e tempos de cozimento. Não existem artifícios. São poucos os pratos elaborados, os que não mostram nitidamente o que são. Gosto dessa nitidez. Fora dos vegetais, considero que minha especialidade é o bacalhau, que preparo de várias maneiras e é o meu prato social por excelência.
MA: Para você, qual é o melhor jeito de comer berinjela? Quais são as propriedades dela?
SH: Em dietética tradicional chinesa, a berinjela remove estagnações; isso é uma virtude rara, especialmente favorável a quem tem depósitos de muco, gordura e toxinas; por isso ela é muito bem-vinda. Mas a berinjela também é muito ácida, por isso precisa ser curada no sal ou no fogo. Na minha família se põe a berinjela inteira no forno, sem lavar, por cima de um papel laminado para não lambrecar a forma toda, e ela assa em fogo médio ou baixo até fazer puf! Estoura. Às vezes não. Demora mais de uma hora e fica queimadinha no fundo, faz parte. Aí é pôr a berinjela na tábua, abrir na vertical, raspar bem a polpa com uma colher (incluindo a polpinha queimadinha) e bater bem com uma faca para cortar as fibras e transformá-la em patê. Azeite, sal, tá pronto. Pode enriquecer de infinitas formas - com alho, cebola, salsinha, limão, pimenta-do-reino, páprica, óleo de gergelim, tahine... Sinto saudade de um prato que minha mãe fazia com berinjela fatiada e frita, purê de batata e carne moída em camadas. Também gosto de moussaka, mas acho difícil encontrar uma boa, feita com um queijo leve.
MA: Quem foi a Madame Aubergine, uma inspiração na sua vida na cozinha?
SH: Minha mãe, que eu sempre gostei de ver cozinhar. E adoro o Jamie Oliver, ele é uma inspiração atualmente, menos quando enche os pratos de manteiga e creme de leite. Acho isso covardia. Tudo parece ótimo com muita manteiga e muito creme.
MA: Algo mais que queira acrescentar?
SH: Bons apetites!
Saiba mais sobre Sonia Hirsch acessando www.soniahirsch.com e, sobre seus livros, em www.correcotia.com. Quer receber notícias de lançamentos, cursos e palestras? Clique aqui e cadastre seu endereço! |
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